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Adaptação vs Autenticidade: o conflito que começa na infância

  • Foto do escritor: Marisa Revez Mendes
    Marisa Revez Mendes
  • 7 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 17 de abr.

Se há algo que aprendi com a travessia que fiz para enfrentar o trauma de abuso sexual na infância, é que este evento é apenas o portal que me permitiu aceder a outros patamares de memórias que haviam sido reprimidas.


Criança que esconde partes de si para se adaptar.

Memórias do meio envolvente, das dinâmicas entre os elementos da família nuclear na qual me incluo e memórias de medo que senti. Medo de não ser amada, de desagradar ou de ser repreendida. Memórias que me fizeram entender que o desempoderamento começou muito antes do abuso sexual ter ocorrido. Memórias cujas experiências e avassaladoras emoções sentidas levaram a decisões internas instintivas de sobrevivência pelo entendimento adquirido:


- “Há partes minhas que desagradam, são criticadas e rejeitadas por quem me cuida, devo por isso escondê-las e anulá-las. Por outro lado, devo esforçar-me para perceber o que lhes agrada e ser da forma que mais lhes convém. Só assim garanto amor, valorização e vinculação segura.

É desta forma que começa a tensão entre garantir a segurança dos vínculos dos cuidadores e a expressão livre da autenticidade do Ser. Em maior ou menor grau na nossa infância, todos fomos confrontados com este conflito interno e respectiva decisão.


Para quem o experienciou de forma constante e intensa ao longo da infância e adolescência, tal como eu, que fique com a seguinte certeza: desenvolveu um ardiloso mas altamente eficaz mecanismo de adaptação ao meio e aos outros, e talvez ainda hoje como adulto, esteja a operar em grande parte do seu dia a dia através dessa adaptação.


O preço que paga? O mesmo que eu paguei ao longo da minha vida até aqui: o auto abandono e a auto desconexão parcial ou quase total do verdadeiro Self. Tornámo-nos adultos altamente funcionais para a sociedade e para os outros, mas verdadeiros desconhecidos para nós mesmos.


Uma subtil apatia teima em sussurrar, que tratamos de silenciá-la com mil e uma tarefas e dramas quotidianos que nos ativam constantemente a corrente de cortisol e adrenalina e assim te-mos uma boa justificação inconsciente para continuarmos na trama da vida, distraídos.


É preciso um momento de crise para nos levar questionar quem verdadeiramente somos e quem viemos ser: o fim de um relacionamento infeliz, talvez um burnout por chefias tóxicas, uma escalada de conflito familiar quiçá ou a velha conhecida apatia, que de sussurros passa a presença assídua e persistente, drenando-nos toda a energia vital, motivação pela vida e clareza de decisão e direção, a um nível em que torna-se impossível negá-la ou dela continuarmos dissociados.


Talvez tu que me estás a ler estejas a sentir ressonância com algum destes possíveis cenários. Ou talvez ainda estejas distante deste ponto. Independentemente de quão resignados estejamos a parar de fugir do chamado para o reencontro connosco mesmo, o maior obstáculo será com certeza o nosso medo em enfrentar a nossa história, em revisitar as memórias antigas, o que foi abafado nos lugares secretos da psique e, principalmente, do que poderá mudar em nós e na relação com os outros. Acima de tudo, temos medo de aceder à nossa potencia interior e a quem verdadeiramente somos. Temos medo do nosso potencial e da nossa incapacidade para sustentá-lo, de acordo com a frágil percepção que testemunhamos acerca de nós mesmos no agora.


De facto, o caminho é desafiante porém simples. A Ação, planeada e preparada, e no seu conjunto as ações continuadas no tempo, é o que levará à mudança interna de deixar de operar no mecanismo de adaptação e passar a operar na autenticidade. E no conjunto dessas ações, é o primeiro que tem um evidente sabor agridoce: um misto entre a curiosidade em explorar o caminho  ao verdadeiro Eu, e o medo sempre constante de pisar o desconhecido.


Esta dualidade pode ser experienciada de forma mais dura, crua e avassaladora quando o caminho é feito por conta própria, sozinho, ou pode tornar-se uma experiência mais articulada e leve se for acompanhada, sobretudo, por quem já conhece a travessia.


Se é aqui em que te encontras e gostarias de uma abordagem em partilha, podes agendar a Sessão de Clareza & Direção, comigo.


Assim, fica a sugestão: se isto ressoou, volta a ti!

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