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Mães Tóxicas e o Mito da Boa Mãe: Quando o Amor é Condicional

  • Foto do escritor: Marisa Revez Mendes
    Marisa Revez Mendes
  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

Filha que não se sente vista nem aceite pela mãe

Avizinha-se o Dia da Mãe e tenho estado a refletir sobre mães, sobre filhos/as e amor condicional.

Muitos já viram a sua mãe partir e desejariam tê-la de volta para celebrarem este dia. Outros nunca as conheceram, ou guardam apenas memórias escassas e fabulam sobre como este dia poderia ser especial. Algumas filhas já são mães e este dia é mais sobre serem celebradas do que sobre celebrar a ascendência. Outros sentir-se-ão simplesmente felizes por almoçarem com a mãe.


Mas a pergunta que mais ecoa é esta:

Quantos de nós, no domingo do Dia da Mãe, vai cumprir o ritual do almoço em família, mesmo sem sentir vontade?


Porque "nem pensar" desagradar a mãe e a família, mesmo que nos desagrademos a nós próprios.



Quando as Mães Semeiam Poucos Motivos para Serem Celebradas

A verdade é que há mães que semearam nos filhos poucos motivos para serem genuinamente celebradas.


Há mães psicopatas, mães narcisistas, mães bipolares, mães borderline, mães paranoides, obsessivas ou adictas. Há mães que padecem destes ou de outros diagnósticos, independentemente de terem sido ou não avaliadas. E há mães que, sem qualquer diagnóstico formal, apresentam traços destas e de outras perturbações que deixam marcas igualmente profundas.


O Impacto do Amor Condicional na Saúde Mental dos Filhos

Filhos destas mães desenvolvem uma hipervigilância constante, sobre si mesmos, sobre o ambiente, sobre qualquer expressão de desagrado no rosto materno, para se autocorrigirem consecutivamente.


Internalizam a voz materna crítica e depreciativa, que se transforma numa voz interna condenatória. Vergonha, culpa, medo e tristeza formam um blend emocional que mina a construção saudável da autoconfiança, da autoestima e da autopercepção de valor pessoal.

É neste estado de desempoderamento interior que a criança cresce e frequentemente permanece, já adulta.


A Ambiguidade Que Paralisa: "Ela Foi Boa Mãe, Mas Nunca Me Senti Visto"

A ambiguidade entre "ela foi tão boa mãe, reconheço-o nas suas ações de cuidado" e, ao mesmo tempo, "nunca me senti verdadeiramente visto e aceite", intensifica a culpa e promove uma confusão interna avassaladora.


São conflitos que se evidenciam precisamente nestas ocasiões de suposta celebração. O Dia da Mãe, para muitos, não é libertador. É um momento de ativação de gatilhos, num sistema nervoso programado para estar em alerta máximo junto da mãe, e o espelho deste conflito interno latente e sem aparente resolução. Para muitos, é mais um dia onde se sentem aprisionados a cumprir o que é esperado, mesmo sem vontade ou sem ressonância com o que autenticamente sentem.


Romper o Ciclo: A Coragem de Desagradar

Este é um ciclo subtilmente abusivo. E quebrar exige a coragem derradeira de desagradar e de nos desapegarmos da necessidade utópica de sermos valorizados pela mãe, pelo que verdadeiramente somos.

Porque às vezes, o que precisamos de aceitar é que sermos autênticos pode desagradar e pode levar à rutura de elos que sobrevivem à nossa custa. E está "tudo bem" se assim for. Porque apesar do medo que sentimos pela fragmentação familiar, pode ser acima de tudo libertador.

E será certamente o início da construção de novos vínculos onde sentirmo-nos vistos e aceites é o normal, em vez de ser uma tarefa inglória como poderá ser atualmente no sistema familiar.

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