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O Paradoxo da Liberdade

  • Foto do escritor: Marisa Revez Mendes
    Marisa Revez Mendes
  • 25 de abr.
  • 3 min de leitura

Marisa celebra o 25 de Abril e a liberdade

É de senso comum que não há Liberdade absoluta, por mais que se tenha lutado por ela e por mais que a celebremos.


O que existiu foi a conquista gradual de pequenas fatias de micro liberdades que no seu conjunto nos dão a sensação de Liberdade.


Existe assim, um espectro entre Condicionamento e Liberdade onde, Era após Era, fomos navegando como indivíduos, como género, e de acordo com o status social, poder económico e institucional alcançado. Acrescentaria ainda fatores psicológicos, emocionais e grau de consciência.


Como mulheres conquistámos direitos que nos permitiram dar passos largos no espectro em direção à Liberdade, face à ancestralidade. Por outro lado, noutra Era e noutras civilizações, as mulheres governaram ou tinham um lugar de destaque, talvez mediante a sua classe social… então talvez tenhamos recuado para o Condicionamento relativamente a estas.


Judeus da Era Nazi, independentemente do género, idade ou classe social foram perseguidos, e antes até o foram pela inquisição, onde lhes restava o lugar de alto Condicionamento no espectro bem longe da liberdade de Ser. Atualmente, quais os limites da Liberdade para o governante da nação que os representa?


Culturalmente, cada vez mais é permitido aos homens expressar o seu sofrimento, além da Raiva, colocando-os num lugar mais próximo da Liberdade de auto expressão, por outro lado, face a outras Eras, tiveram um ligeiro recuo na sua Liberdade de exercerem violência de género como um direito. Ainda assim, a balança do espectro ainda os mantém no lado da Liberdade. Tal como quem abusa de menores, independentemente do género. As vítimas vêm-se muitas vezes ainda Condicionadas para obterem justiça, por vezes até serem credibilizadas.


A educação das crianças, outrora castradora e Condicionante, também avançou rumo à Liberdade, talvez com passos demasiado largos. A mesma Liberdade de fazerem o que querem é, ironicamente é a que os mantém refém das redes sociais, de comparações, dos perpetradores e influenciadores que os Condicionam no sentido crítico e de indagação, empoderamento empático e auto questionamento saudável.


A Liberdade que um Sócrates desta vida, entre outros “jogadores” que através do oportunismo, manipulação e poder, navegam neste lado do espectro, deixam-nos a todos, comuns cidadãos, no lado do Condicionamento por assistirmos impotentes à impunidade e injustiça, válido para qualquer caso de crime onde o sistema jurídico é ainda brando ou ineficaz.


Na liberdade de presidentes fazerem um braço de ferro, Irão e EUA, entre outros tiranos que por ganância e poder iniciam guerras, há toda uma humanidade Condicionada pelos efeitos sociais e económicos, e pelo medo do futuro, longe da Liberdade de viver num mundo justo, de respeito, empatia e esperança entre todos os seres.


Como portugueses, trazemos uns trocados de liberdade na algibeira, mais do que há 52 anos é certo, mas ainda carregamos o condicionamento económico e social por 52 anos de governação com uma visão limitada, num colectivo que vibra numa consciência condicionante.


Que Liberdade realmente experienciamos nas armadilhas da nossa própria mente Condicionada de Medo, dúvida e descrença?


E poderia enumerar infinitos exemplos deste Paradoxo da Liberdade.


O 25 de Abril deve sim ser uma data eternamente celebrada porque como sociedade demos um importante avanço no espectro rumo à Liberdade, nas suas múltiplas dimensões.


Da mesma forma é fundamental trabalharmos interiormente para reorganização da identidade, a fim de resgatarmos a nossa Autenticidade, Poder Pessoal e finalmente reconhecermos o nosso Valor Pessoal. Desta feita, viveremos mais longe do Auto Condicionamento e mais próximo da Liberdade para Ser.


Não somos nem nunca seremos Livres, como indivíduos, cidadãos de uma nação ou humanidade.


“As long as the Matrix exists, the human race will never be free.” Morpheus, Matrix Mas podemos viver o mais livremente possível no espectro.


O 25 de Abril merece ser celebrado. E também merece que façamos o trabalho interior que nenhuma revolução faz por nós.

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