Porque continuas a adaptar-te mesmo quando sabes o que queres?
- Marisa Revez Mendes

- 20 de abr.
- 3 min de leitura
Sabes o que queres, mas continuas a adaptar-te aos outros? Sabes o que queres dizer e o que queres fazer, ainda assim, nos momentos decisivos, ajustas-te, evitas confronto ou ficas aquém do que gostarias para ti.
Se te perguntas porque é que acontece isto, a resposta está num padrão que opera automaticamente.
Porque continuas a adaptar-te aos outros mesmo sabendo o que queres?

Este padrão manifesta-se de forma consistente de algumas formas que talvez reconheças em ti. Por exemplo, quando pensas uma coisa e dizes outra, ou sempre que antecipas a reação do outro antes de te posicionares. Talvez até quando escolhes manter a harmonia em vez de te manteres fiel a ti mesmo, ou sempre que sais de conversas mais desafiantes confuso, com a sensação de que podias ter aprofundado porque apenas transmitiste fragmentos de tudo o que querias expressar.
A capacidade de perceberes o que acontece em ti está presente, porém o desafio está no momento da decisão.
Será falta de discernimento ou um padrão de adaptação automático?
É comum pensares que precisas de mais discernimento, talvez até ponderação no momento de actuares perante as situações com que te deparas. Mas provavelmente é precisamente isso que já acontece, já tens essa consciência. O que está ativo é uma forma de funcionamento baseada em adaptação que inviabiliza uma escolha e ação autênticas, levando-te a uma resposta automática, em reação.
Como se forma este padrão?
Ao longo do tempo, foste aprendendo e integrando sem perceberes algumas crenças. E como crenças que não, são apenas verdades subjetivas que aceitaste como absolutas para ti, tais como a crença de que manter a ligação é mais seguro do que assumir posições, que ajustar-te ao outro evita conflitos e respectivo confronto, ou talvez ainda que corresponder às expectativas alheias, garante a aceitação.
Apesar de captares as tuas reações a estas crenças, no momento em que estão a acontecer, nos momentos decisivos, repetes automaticamente o padrão mesmo sabendo o que realmente queres.
O momento em que tudo acontece: a decisão.
Portanto, o grande desafio está no instante em que tens de escolher entre manter ligação ou assumir a tua posição. E, é nesse momento crucial, que a decisão acontece rápido demais para ser consciente. É automática.
O custo de continuares a adaptar-te…
Com o passar do tempo, o custo torna-se um fardo demasiado pesado com acumulação de frustração, sensação de incoerência interna, desgaste das relações e culmina na perda de confiança em ti e consequente quebra na auto-estima e autopercepção de valor pessoal.
Instala-se uma ideia perigosa: “Talvez eu não saiba mesmo o que quero.” Quando, na realidade, em muitos momentos, se te permitires ser honesto contigo mesmo, até sabes o que queres.
O que precisa de mudar?
A mudança começa por observar com precisão como estás a funcionar, identificar o que mantém o padrão ativo e ganhar margem no momento da decisão.
Sem isto, a reação repete-se continuamente e a vida também.
Então, existe um momento em que perceber que as reações acontecem, por si só deixa de ser suficiente. E esse momento dá-se exatamente onde mais importa: nas conversas difíceis, nas decisões constantemente adiadas, nas situações em voltas a adaptar-te em vez de te posicionares como gostarias.
Muitas pessoas pesquisam por “porque me adapto aos outros”, “dificuldade em impor limites” ou “porque não consigo tomar decisões importantes”. Mas a questão está muito além da consciência da reação. Está na forma como o padrão foi estruturado e se mantém ativo.
Se reconheces este padrão na tua forma de funcionar, é possível analisá-lo com precisão e definir uma direção concreta.




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